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Região de Campinas soma 10,6 mil crianças sem nome do pai em 10 anos; mutirão oferece registro gratuito

Campinas (SP), Americana (SP), Sumaré (SP) e Artur Nogueira (SP) somam 10.652 registros de nascimento sem o nome do pai desde 2016. Os dados são da Defensoria...

Região de Campinas soma 10,6 mil crianças sem nome do pai em 10 anos; mutirão oferece registro gratuito
Região de Campinas soma 10,6 mil crianças sem nome do pai em 10 anos; mutirão oferece registro gratuito (Foto: Reprodução)

Campinas (SP), Americana (SP), Sumaré (SP) e Artur Nogueira (SP) somam 10.652 registros de nascimento sem o nome do pai desde 2016. Os dados são da Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPE-SP). Apenas neste ano, até 15 de julho, as quatro cidades contabilizaram 565 novos casos. Para tentar mudar essa realidade, estão abertas as inscrições para a edição 2026 do mutirão nacional "Meu Pai Tem Nome". A campanha oferece atendimento gratuito para quem deseja reconhecer a paternidade formalmente, investigar o vínculo familiar ou regularizar o registro civil. Campinas lidera o ranking regional de crianças registradas apenas com o nome da mãe. Veja os números totais desde 2016 e os casos isolados de 2026 (até 15 de julho): Campinas: 7.571 (410 em 2026) Sumaré: 1.798 (81 em 2026) Americana: 974 (60 em 2026) Artur Nogueira: 309 (14 em 2026) Segundo a coordenadora da Defensoria Pública de Piracicaba, Carolina Brambila Bega, o reconhecimento da paternidade garante acesso a direitos básicos e fortalece os vínculos familiares. "Juridicamente, a inclusão na certidão de nascimento permite a regulamentação da convivência, permite a possibilidade de cobrar alimentos, também dá direito à herança e tem diversos outros aspectos, por exemplo, previdenciários, como pensão por morte", frisa. Histórias por trás dos números A auxiliar de limpeza Andréia Pereira Barbosa, de Piracicaba, tenta há anos incluir o nome do pai no registro do filho mais velho. Ela conta que o ex-companheiro negou a paternidade assim que soube da gravidez. Andréia buscou a Defensoria Pública para fazer o exame de DNA, mas o homem não apareceu. Hoje, ela lida com as dúvidas da criança. "Marcou o exame para fazer pela Defensoria. Aí ele não compareceu. Ele [o filho] questiona, pergunta por que o pai dele não quis registrar ele",conta a auxiliar de limpeza. A faxineira Fabiana Fernanda do Prado Rodrigues vive uma situação parecida. Dos quatro filhos, os dois mais novos têm apenas o nome da mãe na certidão. "Eles não quiseram registrar e falaram que não era deles", relata. Ela afirma que buscou a Justiça e tentou conversar com os pais das crianças, mas não conseguiu resolver o problema. Agora, espera conseguir o registro completo no mutirão. "Eu preciso que ele crie o registro do pai porque, na hora que ele crescer, ele vai falar: 'Eu tenho um pai', né?", diz. Em busca da própria história A ajudante de cozinha Maria Aparecida Pereira procurou o mutirão no ano passado. Adotada na infância, ela descobriu que sua certidão de nascimento não tinha o nome do pai nem da mãe biológicos. "Nem tinha sobrenome. Pereira eu tenho porque eu casei. Eu fui procurar a Defensoria porque, para a gente fazer esse DNA, eu com a minha mãe, a gente ia ter que pagar e a gente não tinha condições", diz. Durante o atendimento, Maria descobriu outros erros graves no documento: além de não ter filiação, ela havia sido registrada com o sexo masculino. "Daí, quando viram que o meu registro estava na situação que estava, sem nome de pai, sem nome de mãe, como masculino, a gente viu que precisava resolver aquela situação", conta a ajudante de cozinha. Maria aguarda a regularização dos documentos e pretende aproveitar a oportunidade para mudar de nome. "É gostoso você saber de onde você veio, a quem realmente você pertence. A minha família é adotiva, me deu amor, carinho, me ensinou a ser quem eu sou. [...] Falei: 'Já que eu vou mudar de vida, vou mudar de nome'. [...] Só estou esperando e acredito que até o final do ano a gente vai ter uma resposta", afirma, otimista. Região de Campinas tem 10,6 mil crianças sem nome do pai desde 2016 Reprodução/EPTV Como participar do mutirão As inscrições terminam em 30 de julho. Os interessados devem acessar a assistente virtual Júlia, no site da Defensoria Pública de São Paulo. O atendimento presencial ocorrerá no dia 1º de agosto, em mais de 60 postos do estado. Durante o evento, a Defensoria contará com equipes de cartórios e do Instituto de Medicina Social e de Criminologia (Imesc). Veja os serviços oferecidos: Exame de DNA gratuito na hora; Reconhecimento voluntário de paternidade (biológica ou socioafetiva); Acordos de pensão alimentícia, guarda e visitas; Orientação jurídica para abertura de ações judiciais. Serviço Mutirão "Meu Pai Tem Nome" 🗓️ Inscrições: até 30 de julho; 💻 Como se inscrever: pelo site da Defensoria Pública de São Paulo (DPE-SP), com a assistente virtual Júlia; 🤝 Atendimento presencial: 1º de agosto; 📍 Onde: em mais de 60 postos no estado. Na região, haverá atendimento em Americana, Artur Nogueira, Campinas, Limeira, Piracicaba e Sumaré. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas